Foi que eu descobri
Eu antigamente era eterno
Hoje sou outro
Agora sou outro
De novo
Muitas vidas amassaram a minha
E muitas vidas passaram
Agora
Busco um eu que não está em mim
Mas já esteve
A realidade agora é outra, José
Avisa lá pro Carlos
Amassaram o mundo
Os diversos mundos
Viraram massa
Massinha para poucos brincarem
Massa mundializada
Posta numa pasta qualquer
De um arquivo qualquer
Quem quer?
E eu tentando ser poeta
Brincando de ser alguém
Me achando
Eu acho
Acho que me perdi
Esse mundo não é pra você, José
Nunca foi
A vida, aquela vadia
Que sempre varia
Enquanto a gente se esvazia
O que valia menos
Passa a valer mais
Quando desvaria
Melhor parar de brincar
Parar de brindar
Parar de bancar
E de bancar o artista
A fonte secou
Acabou a farra
E as formigas agora mascam
Os restos daquela cigarra
(Homenagem a Paulo Leminski e Carlos Drummond de Andrade)
Um comentário:
Bom esse texto, muito bom!
bj
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