terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Pastas


Abrindo um antigo caderno
Foi que eu descobri
Eu antigamente era eterno

Hoje sou outro
Agora sou outro
De novo
Muitas vidas amassaram a minha
E muitas vidas passaram

Agora
Busco um eu que não está em mim
Mas já esteve

A realidade agora é outra, José
Avisa lá pro Carlos
Amassaram o mundo

Os diversos mundos
Viraram massa
Massinha para poucos brincarem 

Massa mundializada
Posta numa pasta qualquer
De um arquivo qualquer
Quem quer?

E eu tentando ser poeta
Brincando de ser alguém
Me achando
Eu acho

Acho que me perdi
Esse mundo não é pra você, José
Nunca foi

A vida, aquela vadia
Que sempre varia

Enquanto a gente se esvazia
O que valia menos 
Passa a valer mais
Quando desvaria

Melhor parar de brincar
Parar de brindar
Parar de bancar
E de bancar o artista

A fonte secou
Acabou a farra
E as formigas agora mascam
Os restos daquela cigarra

(Homenagem a Paulo Leminski e Carlos Drummond de Andrade)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

A... Roga agora?
Ó, azarada razão!
Orar é verbo breve, raro...

É... sofro. Mate-me, metamorfose!

Orar é verbo breve, raro.
Ó! azarada razão
Á! Roga agora?!