quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Falta de Ar

Não tenho trocado, não tenho trocado
Droga de ar-condicionado
Logo agora tinha que estar quebrado
E me colocar de frente pra esse mundo errado?!

Ainda se fazem de coitados
Conheço! São todos uns viciados
Se desse um trocado já estariam cheirados
A essa hora emaconhados, alucinados

Eu só queria andar por Ipanema
Poder sair sozinha pra ir ao cinema
Andar livremente sem nenhum problema...
E a Julinha, ainda em Saquarema?!

Porra, você tá me ouvindo, Orlando?
A perturbada da empregada tá me ligando

E a gente ainda dá oportunidade pra essa gente pobre
Mas ninguém valoriza uma atitude realmente nobre

Coitada é da nossa filha. Roubaram ela.
E semana passada a bala que entrou pela janela
Assustou os cachorros e ainda quebrou a nova tela
Culpa desse povo que se acha no direito de descer a favela

Bom mesmo era no tempo da gente
Viu os novos vizinhos da frente?
Uns paraíbas insolentes
Pra piorar devem ser crentes

Depois vão dizer que é preconceito
Mas essa gente sem berço não tem jeito
Diferente da gente, sabe, gente de respeito...
Nossa, estou precisando trocar o peito

Eu só tenho uma certeza
Esse mundo está mesmo uma pobreza
Sabe a Tereza? A filha dela foi pega no morro. Tá presa.
Tristeza, Orlando. Tristeza...

Orlando... corre, Orlando! O jantar já tá na mesa!

2 comentários:

Lady Shady disse...

Seus textos são bons!
Deve ser muito bom escrever assim. Acho tão difícil...

bjs

Pachá disse...

Puxa, obrigado. Na verdade só tomei coragem e mostrei alguns, mas a maioria não passa pelo crivo...