Droga de ar-condicionado
Logo agora tinha que estar quebrado
E me colocar de frente pra esse mundo errado?!
Ainda se fazem de coitados
Conheço! São todos uns viciados
Se desse um trocado já estariam cheirados
A essa hora emaconhados, alucinados
Eu só queria andar por Ipanema
Poder sair sozinha pra ir ao cinema
Andar livremente sem nenhum problema...
E a Julinha, ainda em Saquarema?!
Porra, você tá me ouvindo, Orlando?
A perturbada da empregada tá me ligando
E a gente ainda dá oportunidade pra essa gente pobre
Mas ninguém valoriza uma atitude realmente nobre
Coitada é da nossa filha. Roubaram ela.
E semana passada a bala que entrou pela janela
Assustou os cachorros e ainda quebrou a nova tela
Culpa desse povo que se acha no direito de descer a favela
Bom mesmo era no tempo da gente
Viu os novos vizinhos da frente?
Uns paraíbas insolentes
Pra piorar devem ser crentes
Depois vão dizer que é preconceito
Mas essa gente sem berço não tem jeito
Diferente da gente, sabe, gente de respeito...
Nossa, estou precisando trocar o peito
Eu só tenho uma certeza
Esse mundo está mesmo uma pobreza
Sabe a Tereza? A filha dela foi pega no morro. Tá presa.
Tristeza, Orlando. Tristeza...
Orlando... corre, Orlando! O jantar já tá na mesa!
2 comentários:
Seus textos são bons!
Deve ser muito bom escrever assim. Acho tão difícil...
bjs
Puxa, obrigado. Na verdade só tomei coragem e mostrei alguns, mas a maioria não passa pelo crivo...
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