Nem há verdades atrás dos montes
Há montes de verdades mentirosas
E de covardias corajosas
Mas isso ninguém me ensinou
Quando precisei da sua mão você negou
Pois só caindo eu aprenderia
E o meu esforço foi para sua alegria
Caí muito e levantei-me todas as vezes
Quando eu precisava você sumia por meses
Hoje vem cobrar minha eterna gratidão
Mas sua distância impede que veja minha mão
Ainda querendo ajuda, mas agora de outra forma
Minhas pernas fortes permitem seguir minha própria norma
Mas nem de longe você ouve o que eu grito
Seus olhos pisam nos meus e nada pode ou deve ser dito
Entendo que não é aqui que encontrarei ajuda
Suas atitudes, sua cabeça, nada muda
Só nossa saúde, que é a principal prejudicada
E nós, que fingimos que não acontece nada
Sem olhar um para o outro seguimos reto
Sofrendo, mas vivendo sob o mesmo teto
Sei que você não é feliz. Você sabe que não estou satisfeito
E seguimos vivendo cada um com sua dor no peito
Como se pudéssemos mascarar esta ferida
Feita de carne viva, morta e encardida
A dança das palavras, quando há, rasga ainda mais
Rodopia no ar e inebria enquanto derruba o cais
Foi na guerra morna que descobri as verdades mentirosas
O mar de lama escondido sob o de rosas
Nosso amor não rima com flor, nem dor, nem nada
Nosso amor não passa de vivência ritmada
Convivência por conveniência é nosso amor imundo
Nada pode ser mais nojento nessa merda desse mundo
Mas aquilo que eu espero ainda está por vir
Se no mundo todos tropeçam um dia você vai cair
Nesse dia você vai pedir para eu te ajudar
E entrará em cena minha vida na vingança
Sem esquecer o que vivemos guardarei nossa aliança
E te darei minha mão para que você possa se apoiar