terça-feira, 2 de junho de 2009

Giordano Bruno

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Faz

Seu silêncio é sorridente demais
Une esse sangue fervente
Com seu sonho empoeirado
Para acabar com os olhares invertebrados
Que não farão nada por você.

Grite!
Se sua consciência está tranquila
É porque você nunca a usou.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Pastas


Abrindo um antigo caderno
Foi que eu descobri
Eu antigamente era eterno

Hoje sou outro
Agora sou outro
De novo
Muitas vidas amassaram a minha
E muitas vidas passaram

Agora
Busco um eu que não está em mim
Mas já esteve

A realidade agora é outra, José
Avisa lá pro Carlos
Amassaram o mundo

Os diversos mundos
Viraram massa
Massinha para poucos brincarem 

Massa mundializada
Posta numa pasta qualquer
De um arquivo qualquer
Quem quer?

E eu tentando ser poeta
Brincando de ser alguém
Me achando
Eu acho

Acho que me perdi
Esse mundo não é pra você, José
Nunca foi

A vida, aquela vadia
Que sempre varia

Enquanto a gente se esvazia
O que valia menos 
Passa a valer mais
Quando desvaria

Melhor parar de brincar
Parar de brindar
Parar de bancar
E de bancar o artista

A fonte secou
Acabou a farra
E as formigas agora mascam
Os restos daquela cigarra

(Homenagem a Paulo Leminski e Carlos Drummond de Andrade)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

A... Roga agora?
Ó, azarada razão!
Orar é verbo breve, raro...

É... sofro. Mate-me, metamorfose!

Orar é verbo breve, raro.
Ó! azarada razão
Á! Roga agora?!


sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Vivência Ritmada (A carne viva-morta do nosso amor imundo)

Não há estrelas perto do horizonte
Nem há verdades atrás dos montes
Há montes de verdades mentirosas
E de covardias corajosas

Mas isso ninguém me ensinou
Quando precisei da sua mão você negou
Pois só caindo eu aprenderia
E o meu esforço foi para sua alegria

Caí muito e levantei-me todas as vezes
Quando eu precisava você sumia por meses
Hoje vem cobrar minha eterna gratidão
Mas sua distância impede que veja minha mão

Ainda querendo ajuda, mas agora de outra forma
Minhas pernas fortes permitem seguir minha própria norma
Mas nem de longe você ouve o que eu grito
Seus olhos pisam nos meus e nada pode ou deve ser dito

Entendo que não é aqui que encontrarei ajuda
Suas atitudes, sua cabeça, nada muda
Só nossa saúde, que é a principal prejudicada
E nós, que fingimos que não acontece nada

Sem olhar um para o outro seguimos reto
Sofrendo, mas vivendo sob o mesmo teto
Sei que você não é feliz. Você sabe que não estou satisfeito
E seguimos vivendo cada um com sua dor no peito

Como se pudéssemos mascarar esta ferida
Feita de carne viva, morta e encardida
A dança das palavras, quando há, rasga ainda mais
Rodopia no ar e inebria enquanto derruba o cais

Foi na guerra morna que descobri as verdades mentirosas
O mar de lama escondido sob o de rosas
Nosso amor não rima com flor, nem dor, nem nada
Nosso amor não passa de vivência ritmada

Convivência por conveniência é nosso amor imundo
Nada pode ser mais nojento nessa merda desse mundo
Mas aquilo que eu espero ainda está por vir
Se no mundo todos tropeçam um dia você vai cair

Nesse dia você vai pedir para eu te ajudar
E entrará em cena minha vida na vingança
Sem esquecer o que vivemos guardarei nossa aliança
E te darei minha mão para que você possa se apoiar

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Falta de Ar

Não tenho trocado, não tenho trocado
Droga de ar-condicionado
Logo agora tinha que estar quebrado
E me colocar de frente pra esse mundo errado?!

Ainda se fazem de coitados
Conheço! São todos uns viciados
Se desse um trocado já estariam cheirados
A essa hora emaconhados, alucinados

Eu só queria andar por Ipanema
Poder sair sozinha pra ir ao cinema
Andar livremente sem nenhum problema...
E a Julinha, ainda em Saquarema?!

Porra, você tá me ouvindo, Orlando?
A perturbada da empregada tá me ligando

E a gente ainda dá oportunidade pra essa gente pobre
Mas ninguém valoriza uma atitude realmente nobre

Coitada é da nossa filha. Roubaram ela.
E semana passada a bala que entrou pela janela
Assustou os cachorros e ainda quebrou a nova tela
Culpa desse povo que se acha no direito de descer a favela

Bom mesmo era no tempo da gente
Viu os novos vizinhos da frente?
Uns paraíbas insolentes
Pra piorar devem ser crentes

Depois vão dizer que é preconceito
Mas essa gente sem berço não tem jeito
Diferente da gente, sabe, gente de respeito...
Nossa, estou precisando trocar o peito

Eu só tenho uma certeza
Esse mundo está mesmo uma pobreza
Sabe a Tereza? A filha dela foi pega no morro. Tá presa.
Tristeza, Orlando. Tristeza...

Orlando... corre, Orlando! O jantar já tá na mesa!